O setor de ônibus continua a amargar queda de vendas no mercado interno: no primeiro trimestre as fabricantes de chassis comercializaram 1 mil 789 unidades, o que representou recuo de 34,2% com relação ao mesmo período do ano passado. Na comparação mensal os resultados também são críticos: em março foram emplacados 857 ônibus, retração de 13,2% na comparação com o mesmo mês do ano passado.
De acordo com Luiz Carlos de Moraes, vice-presidente da Anfavea, mais uma vez um dos motivos que desfavorece o desempenho deste setor é o impasse do programa Refrota 17 do governo federal, criado em dezembro de 2016 para fomentar a renovação da frota de ônibus urbanos no País. Para esta iniciativa foram destinados R$ 3 bilhões para financiar 10 mil unidades. No entanto a Caixa Econômica Federal, único banco credenciado para realizar estes financiamentos, tem dificuldades para realizar análises de crédito e isto contribui para a demora do processo: “A Caixa é um banco especializado em financiamento de imóveis e essa é a razão dessa lentidão”.
De acordo com ele esta realidade contribui para barrar o andamento do programa: “Ele foi lançado em dezembro do ano passado e até o momento não melhorou as vendas”
Consultada por AutoData em fevereiro a Caixa informou, por meio de nota, que o prazo de análise para a aprovação depende do perfil do cliente. Veja aqui.
Pelo programa podem ser financiados ônibus urbanos dos tipos micro-ônibus, miniônibus, ônibus básicos e biarticulados. As taxas de juros devem ser de 9% ao ano, menor do que todas as outras disponíveis no mercado.
Moraes disse que esta morosidade deve diminuir nos próximos meses com o credenciamento de alguns bancos de fabricantes de veículos como agentes financeiros deste programa. Fontes do setor disseram que o Banco Mercedes-Benz e o Banco Scania já conseguiram se credenciar.
Produção – As fabricantes de chassis de ônibus também registram recuo no volume de produção no primeiro trimestre. No período foram fabricados 4 mil 113 unidades, o que representa recuo de 5,2%.O segmento de rodoviários registrou queda de 9,3%, com 1 mil 30 unidades. Já no de urbanos a retração foi de 3,7%, com 3 mil 83 unidades.
Na análise somente de março as empresas fabricaram 1 mil 686 unidades, crescimento de 1,9% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Quem puxou a produção foi o segmento de urbanos, com 1 mil 288 unidades e alta de 29,7%. A produção de rodoviários foi de 398 unidades, com redução de 39,8%.
De acordo com informações da Anfavea a ociosidade atualizada das fábricas de veículos comerciais é de 80%.
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